domingo, 20 de fevereiro de 2011

5° andar

Deixo fluir todos os sentidos, envoltos em minha cintura num balanço calmo e preciso
que passa por entre as minhas pernas e sobe num gemido até o pé do ouvido.
O som emitido pede mais.
A carne pede mais.

Todos os poros clamam pelo toque da língua
Não é só questão de pele: o corpo vibra num contato de almas
num frenesi de movimentos, olhares, toques
numa transcendência em pleno chão da cozinha, no 5° andar de um prédio qualquer.

Aleatório

Troca de saliva não supre carência
Qualquer toque não alivia dor
Olhares aleatórios não fazem você se sentir mais bonita
Então porque submeter-se à tapa-buracos?

É medíocre estar envolta por braços que não confortam.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

O que pode-se fazer com tanto nada? É por isso que a sua alma pertence àqueles envoltos em poesia: pois só tamanha profundidade é capaz de suprir tal vazio. Lhe pertence aquilo que lhe embala, que lhe envolve e todo o resto lhe parece apenas pinturas aleatórias.


constância

Seu rosto já tão saturado de memórias perdidas relampeja em minha mente refletindo em rostos aleatórios na rua, no metrô, àquele seu sorriso de canto-de-boca.
Minhas mãos instantaneamente passam a suar frio juntamente com o peito acelerado e os joelhos trêmulos; mas ao mesmo tempo eu fico feliz de saber que é só a minha mente me pregando peças de novo.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Inspiração

Ao deixar uma caneta fluir sob o papel só se vê rostos desfigurados, frases doentias.
Minha mente vive me pregando peças: numa auto-sabotagem demasiadamente sádica os caminhos percorridos são conhecidos suficientemente bem a ponto de me levar ao extremo, numa tragédia mental que fica à margem da consciência; como num filme de drama sensacionalista sendo executado diante de mim, dentro de mim, repetidamente, frenéticamente, numa necessidade quase crônica de me suprir com o vazio. Este, já tão presente, tão familiar.

Pois é da melancolia que se faz a poesia
esta da voz às entranhas, aos sentimentos mais primários,
vindos da carne
sujo, puro, cru
... libertador.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Reflexo ritalina

O reflexo de si mesmo é uma constante mudança inédita que se repete, inúmeras vezes, pois só na auto-imagem é possível enxergar o vazio em pele, a angústia em carne.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

As crônicas de Nina

Largada numa cadeira qualquer ela chora, e chora, porque perdeu o amor. Este sumiu de seu peito, sem avisar, deixando-o assim: como um depósito de mágoas recentes, doloridas.
E agora o que cabe entre seus dedos são os cigarros e não mais outros dedos.
E agora a única coisa que cabe dentro dela é o vazio triste, cansado.

Deveria existir um relógio biológico nos alertando do fim, ela pensa, se fosse como esquentar comida no microondas seria mais fácil. Apitou, acabou.

Mas não é. Ela se ajeita na cadeira e entende: todos os amores vão parecer únicos, imperdíveis, todas as juras vão parecer eternas e todos os términos insuperáveis.
Todas as vezes vai ser como a primeira vez.

A relação amorosa é formada de duas ou mais pessoas sádicas afim de se divertir, ela conclui enquanto acende mais um cigarro.